
“A arte é o lugar onde o espírito se encontra com a matéria.”
O espaço
O Convento San Payo, situado num local isolado e místico de Vila Nova de Cerveira, sempre despertou fascínio entre os habitantes do Vale do Minho. Diz-se que, em dias de sol, o convento reluzia com um brilho misterioso, alimentando lendas sobre monges que estendiam moedas de ouro ao sol..
Hoje, o espaço foi recuperado e transformado pelo escultor José Rodrigues num ateliê artístico e centro cultural. Aberto todo o ano, oferece exposições permanentes de Desenho, Escultura, Arte Sacra e Oriental, além de workshops, conferências, concertos e teatro, mantendo viva a alma criativa e espiritual do lugar.
Fonte: Porto Canal

O artista
José Joaquim Rodrigues nasceu em Luanda em 1936 e desde cedo revelou vocação para as artes, moldando barro ainda em criança. Aos 14 anos fixou-se no Porto para estudar Belas Artes, onde concluiu o curso de Escultura em 1963 e mais tarde foi professor. Em 1968 fundou o grupo artístico “Os Quatro Vintes” e, no mesmo ano, presidiu à Cooperativa Árvore, referência cultural na cidade.
Ligado ao Alto Minho, recuperou o Convento de São Paio em Vila Nova de Cerveira, transformando-o na sua residência e ateliê. O espaço funciona hoje como centro cultural aberto ao público, com exposições permanentes, workshops, teatro, música e circuitos pedestres. José também foi impulsionador da Bienal Internacional de Cerveira.
Para além da escultura, dedicou-se à ilustração, cerâmica, medalhística e cenografia, colaborando com companhias de teatro em Portugal e Espanha. A sua obra está presente em coleções nacionais e internacionais, e apesar de algumas polémicas — como o Cubo da Ribeira — é hoje amplamente reconhecido.
Fundou a Fundação Escultor José Rodrigues num antigo edifício industrial no Porto, onde promove exposições, espetáculos e cultura descentralizada. Também é colecionador e dedica parte do seu espaço à obra de artistas como Almada Negreiros, Júlio Pomar e Mário Eloy.
O legado
José Rodrigues, reconhecido pela sua obra pública e pela sua ligação profunda ao território, acreditava que a arte devia ser acessível, humana e espiritual. No Convento, criou um espaço onde o silêncio dialoga com a matéria, e onde cada pedra parece guardar um gesto criativo. O seu trabalho não se limitou à escultura: foi gravador, desenhador, pensador e mentor de gerações.
Ao recuperar o convento, José não apenas preservou a sua arquitetura, mas reinventou o seu propósito. O espaço tornou-se um ateliê permanente, um centro cultural aberto todo o ano, com exposições de Desenho, Escultura, Arte Sacra e Oriental, e uma programação que inclui workshops, conferências, concertos e teatro.
Mais do que um artista, José Rodrigues foi um guardião da memória e da beleza. O seu legado vive nas obras, nas paredes do convento, e nas pessoas que continuam a visitar, aprender e criar naquele lugar. O EcoFest honra esse legado, celebrando a interseção entre arte, natureza e comunidade, tal como ele sonhou.
